-O que...?- digo, baixinho, num sussurro que Georgie não escuta.
Andrew atravessa o salão de maneira elegante, parecendo que seus pés flutuam sobre o piso liso. Ele está lindo, como sempre, mas sua roupa traz um ar diferente em Andrew, algo que eu nunca tinha visto antes, mas algo bom, que me faz esquecer todos os problemas. Por baixo do blazer azul marinho que acompanha seu corpo perfeitamente, uma camiseta branca fina, quase translúcida, revelam um pouco da forma de Andrew, o que faria qualquer um babar. Sua calça jeans é justa e com uma lavagem moderna, o que quebra a formalidade causada pelo blazer. É uma boa combinação, percebo, já que Andrew continua um deus grego, tão bonito que me faz arfar. E, com certeza, não só eu. Seu cabelo está jogado para trás e brilha com a luz do restaurante. Meu coração se acelera a cada passo de Andrew e minha respiração começa a se entrecortar. Tento manter a tranquilidade, temendo que Georgie perceba o efeito que seu filho tem sobre mim.
Ele sobe as escadas em direção ao mezanino, seus olhos fixos nos meus e sua mão segurando firme a rosa vermelha que trouxe consigo.
-Endie...- Andrew diz baixo, com urgência. Aquela urgência, penso, tão característica de Andrew. Apesar de não querer chamar a atenção, todos os olhos das pessoas próximas se voltam para nós. Andrew se posta em pé ao meu lado e segura minha mão com delicadeza, me ajudando a levantar.
-Andrew... O que...?- repito, ainda baixinho.
-Shiii.- sussurra e encosta a testa na minha, se curvando.- Não fala nada. Caralho, eu pensei que fosse... Morrer... Sem você.- diz. Eu sei, penso. Eu também. Por um momento imagino que, pelo que Andrew estava dizendo, nossa distância, mesmo que curta, foi tão dura pra ele quanto pra mim. Andrew, então, se afasta e estende a rosa para mim.- Isso é pra você.- ele encara meus olhos, o que me faz tremer por um momento.
-Ah, obrigada.- engulo em seco, um pouco constrangida.- É linda.
-Não mais que você, baby.- responde, antes de passar a mão pelo meu cabelo, colocando-o atrás da orelha, e me beijando suavemente. Os lábios de Andrew são suaves e suculentos, e seu cheiro inebriante me invade. Era como se o cheiro de menta e café fosse estimulante para mim, me causando mais desejo por ele. Me entrego totalmente e passo os braços pelo seu pescoço e começo a ouvir um burburinho atrás de nós, as pessoas extasiadas pela cena que estávamos protagonizando, mas não me incomodo. Ali, naquele momento, éramos só eu e Andrew... E Georgie.
Me afasto com dificuldade dos lábios de Andrew quando me recordo que seu pai - e meu chefe - está sentado à mesa. Levo o olhar cuidadosamente até ele e percebo que Andrew me acompanha, mas Georgie tecla no telefone, com o rosto baixo, e percebo que assim o fez para que nos desse o mínimo de privacidade. Mínimo mesmo, já que estávamos em um restaurante lotado!
Andrew ajeita a cadeira para mim antes de segurar minha mão para que eu sentasse de frente para Georgie e se senta numa cadeira ao lado do pai. Pouso a rosa sobre a mesa, fitando-a, maravilhada, quando sou tirada dos meus pensamentos pela voz de Andrew.
-Pai...- Andrew diz, um pouco desconfortável, mas de maneira educada.- Já pode parar de fingir que está usando o celular.
-Ah, eu... Não estou...- Georgie se atrapalha com as palavras enquanto guarda o celular no bolso do blazer.- Fingindo... Eu tava conversando com o pessoal do... Brasil?- Georgie parece não saber mais o que falar.- Sabe, sobre a filial que estamos abrindo por lá.
-Você não sabe mentir!- Andrew se diverte, o que tira um sorriso amarelo do pai.
-É, me desculpe...- Georgie revira os olhos, o que faz com que ele pareça mais jovem e, por alguns segundos, bem mais parecido com Andrew.- Bom, de qualquer forma, acho que realmente posso parar de fingir que não estou aqui.- ele concorda com o filho.
-Pode sim, principalmente agora que preciso dizer algumas palavras...- Andrew se levanta novamente com a taça vazia do pai e pega uma faca na bandeja de um garçom que passa por nossa mesa, que parece não perceber, e bate-a contra a taça, fazendo um barulho alto que chama a atenção de todos que estão no mezanino (inclusive do garçom, que agora parece perceber o sumiço da faca de sua bandeja). Aí meu Deus, penso, engolindo em seco. Me ajeito na cadeira e olho, desesperada, para Georgie, que encara o filho, assim como todo o resto do restaurante.- Algum tempo atrás eu nunca me imaginaria aqui. Nunca mesmo. Não me imaginaria nessa situação, muito menos nesse restaurante granfino.- nesse instante meu olhar vai de Andrew para o garçom que teve a faca roubada, que encara Andrew com um olhar feroz, o que me causa graça.- Eu, provavelmente, estaria acordando agora, com uma puta ressaca, ao lado de alguém que havia acabado de conhecer e dispensaria logo.- ele passa os olhos em todas as mesas do mezanino.- Mas há cinco meses, mais ou menos, alguém mudou minha vida.- Andrew, então, olha pra mim.- Essa pessoa me causou estranheza, num primeiro momento. Era tão... Indefesa. Delicada... Mas eu estava muito errado em relação à ela. Ela foi se mostrando uma pessoa forte, até um pouco difícil as vezes, não vou negar.- diz rindo, o pessoal rindo junto com ele em coro.- Você se tornou meu único vício. Seu cheiro, seu jeito. Você, por completo. Você é meu anjo, foi quem me arrebatou e me faz questionar todos os dias sobre a vida que eu levei até o momento em que te conheci. O que aconteceu eu não sei, mas aconteceu. E todas, todas, as merdas que fiz mesmo estando com você, foi por não entender o que era que estava acontecendo dentro de mim. Todas as mudanças são dolorosas, mas você me anestesia e me faz querer mudar, Endie. Por você!- meus olhos se enchem de lágrima e meu coração me chicoteia internamente como um cavalo galopando num grande terreno descampado. Sinto meus dedos tremerem e minha garganta fechar. Eu não aguentaria muito tempo mais sem chorar e, ao mesmo tempo, não sabia onde Andrew queria chegar.- Se eu fiz qualquer coisa errada, me perdoa. Até aqui, fui imaturo. Eu sei que tenho muito a evoluir ainda e quero que isso aconteça do seu lado!- ele para por um instante e respira fundo.- Então, após esses cinco meses maravilhosos ao seu lado, eu acho que estamos prontos. Eu estou. Endie... Oficialmente, diante do meu pai... E você sabe como isso é difícil para mim... Você... Você quer namorar comigo?
As lágrimas em meus olhos começam a rolar rosto a fora, e meu coração acelera ainda mais, parecendo que a qualquer momento iria implodir dentro de mim. Meus olhos embaçados pelas lágrimas correm pelo mezanino e vejo gente chorando, gente filmando, mulheres maravilhadas com as mãos sobre o coração e até mesmo o garçom, outrora furioso com Andrew, sorri para mim, como se quisesse me convencer, aguardando minha resposta. Engulo em seco, tentando controlar as lágrimas e respiro fundo, percebendo que está se passando tempo demais. Me levanto, chegando bem perto de Andrew.
-Eu seria louca se dissesse não, Andrew.- digo só para ele ouvir.- É claro que eu aceito!- falo mais alto, para todos ouvirem e escuto a explosão de palmas e gritos das pessoas, me envolvendo com Andrew em um beijo feliz.
·
-Estava falando com sua mãe.- diz Georgie à Andrew, retornando do banheiro. Após a euforia, quando todos já estavam mais calmos, Georgie se retirou para falar no telefone.- Ela está em Londres, resolvendo alguns assuntos do RH na nossa filial de lá.- diz para mim, como se justificasse a sua ausência, algo que eu só havia reparado agora.- Mas vamos dar um jantar no final de semana para comemorarmos.
-Dessa também irá, né?- digo, com relutância, não querendo expor que sabia que Georgie a tratava de maneira diferente da que tratava Andrew.
-Claro, por que não iria?- questiona ele.- Acredito que você já saiba que Andressa foi criada por mim e Katherine.
-Claro, já sim.- respondo, percebendo que não sabia o nome da mãe de Andrew até então. Andrew me observa, alheio à conversa, como se imaginasse outras coisas.- O que foi?- questiono, levando a mão até à sua.
-Nada...- responde, apenas. O garçom, então, aparece empurrando um carrinho com os pratos meu e de Georgie acompanhados com a garrafa do mesmo vinho que havíamos tomado quando chegamos. Andrew observa os pratos servidos e fala ao garçom.- Olha, acabei esquecendo de fazer meu pedido.- por que será?, penso, achando graça.- Você pode me trazer um prato de macarrão bem servido, por favor?- Andrew é gentil, o que me deixa aliviada. Ele volta seu olhar ao meu rosto, como se ainda estivesse pensando em outras coisas.
-Claro, senhor.- assente o garçom.- Qual tipo, molho, quente, frio...?
-Qualquer um.- interrompe ele, dispensando o garçom sem tirar os olhos de mim.- Qualquer um...
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Bad Boy Irresistível
Romance"Ele estava no meu sangue. Ele estava nas minhas veias e não saia da minha cabeça. Mas, de certa forma, eu precisava daquilo. E eu o culpo por ser meu elixir. Minha droga fatal." Endie sempre foi daquelas meninas... certinhas. Quando ela vai para a...
