A lua era algo que me Mantinha inteiro, me lembrava ele, me arrepiava de uma forma que eu não conseguia mais pensar.
Estar ao lado de Mito era um esforço, rir sabendo que ele preferiu ir do que estar aqui, o que o causou isso? Me doia não ter Madara aqui, com a carta nas mãos, tudo doía cada segundo.
" Senju Hashirama, aqui está seus parabéns por se casar com uma mulher tão bela, realmente como todos falaram tanto, Mito Uzumaki é uma jóia rara, de um poder imbatível, uma mulher a sua altura.
Que anseia por ti, uma perfeita primeira dama, mesmo que não tenha tido muita participação, eu sei que imagina que eu esteja decepcionado ou irritado por ir, mas não, então não vá atrás de mim.
Porque se eu não quiser, você não irá me achar Senju, e sabe que sempre foi assim.
Faça filhos, faça legados, seja um hogake e viva no mundo no qual sonhamos.
Ass: Madara uchiha."
Ele foi e eu fui um covarde no qual nem consegui dizer o que sentia.
- você foi um completo covarde Hashirama, que homem é homem pra construir uma cidade mas não pra dizer que ama? - as lágrimas insistiam em descer, em liberdade depois de dias presas.
Por que eu não poderia chorar antes de Mito entrar na igreja, por que o desespero tomava conta do meu corpo, por que eu não via você, ah Madara, eu desesperadamente passava os olhos pelas cadeiras, na esperança de ver você e ser mais forte, só um pouco mais.
Mas você não estava, e quando eu tive tempo, corri até seu escritório, e nada, sua casa e só tinha a carta.
Eu fiquei rodando a sua casa, vendo cada pertence, cada coisa de Izuna, tudo que você lutou tanto pra mandar, agora vazio, vazio de você.
O que eu era sem ti? Eu lutei em mim por ti, eu lutei contra meu pai, meu clã e agora eu não tinha meu motivo de lutar, será que a vila vale tudo isso? Meu coração e alma?
Será esse o peso da Coroa?
Me falavam tanto sobre o peso de não ter opção, ou era o clã, ou a morte.
Só mudou o dilema, agora é tudo pela vila, pela segurança de que não há guerra, mas a preço de que? Da boa vida? Ou melhor de uma vida feliz?
Era um preço que eu não queria pagar.
Finalmente olhando em volta, mito estava deitada na cama, com os cabelos da cor do fogo jogados pela cama, enquanto ela abraçava um dos travesseiros da cama, serena. Eu saio a olhando de lado, tentando me convencer de que aquela seria a imagem da minha vida, e não ele, como eu observei no seu momento de luto.
A imagem me atinge como um soco, dos olhos e do nariz vermelhos, o corpo tão cansado, em um sono sereno, ao meu lado.
Limpando meus olhos com a mão livre da carta, fechando a porta do quarto silenciosamente, mesmo sabendo que Mito me acharia quando voltasse, envergonhado, melancólico e dolorido de um amor que nunca poderia ser ela.
Mesmo assim meus passos eram automáticos, e logo eu estava lá de novo, olhando sua casa, jogado no chão, como se manter tudo da forma que você foi, fosse te arrastar pra lá, como se eu pudesse avisar você que eu estava lá, em prantos esperando você voltar.
Mas você disse que não ia, e isso fazia minhas lágrimas descerem mais rápido, enquanto meu corpo se levantava acabado, correndo pro seu quarto, arrastando para o tatame, aquele que eu lhe vi dormir, aquele que mais um pouco eu te vi ir.
Ah Madara, se tudo era nosso, por que deixou ser só meu? Eu não queria isso, eu queria você.
— por que? O que eu fiz pra merecer te perder? — minha voz sussurrava no vazio daquele lugar.
Eu deveria gritar, pra que Tobirama tivesse que correr até mim, e me deixar chorar em seu colo, mas eu não queria acalento, eu queria a coragem de deixar tudo e seguir meu coração, eu queria me soltar da oportunidade de transar noites e após noites apenas por um herdeiro, eu queria ele.
Eu queria o desejo ardente que ele trazia, eu queria o amor dele, ele.
Quando me dou por mim, Tobirama estava na porta, encostado.
— você está decadente Hashirama — ele diz, com a intenção de me dar um choque de realidade.
— você não esteve melhor quando perdeu Izuna — digo lembrando o estado quase vegetativo que ele ficou — eu pelo menos consigo fingir durante o dia que a falta dele não me rasga — digo como uma vitória.
Era minha resistência.
E então Tobirama se aproxima do tatame, encontrando meu rosto coberto pelo cabelo.
— estamos decadentes — ele diz se deitando ao meu lado — acho que o amor não nasceu pra nós irmão.
Ele tinha certeza.
— nasceu, mas formos egoísta demais pra agarrar o que a vida nos ofereceu — digo me ajeitando, tirando o cabelo do rosto e ficando de uma forma com o mínimo de dignidade.
— como chegamos aqui Hashirama? — a voz do meu irmão ecoa, como uma dúvida pertinente, que eu não queria assumir, dizer em voz alta.
Mesmo não dizendo, a resposta queimava na minha pele como óleo fervendo, mas eu preferia não ver, não sentir, não dizer.
As lágrimas só voltaram a cair, sem rumo, só como uma forma de aliviar aquele desespero latente que tomava meu corpo toda noite, toda vez que eu lembrava que iria chegar aqui e só iria encontrar uma esperança sem base e um resquício daquilo que eu poderia ter vivido.
Era só mais um encontro marcado com a dor da falta.
— amamos — digo com a voz embriagada — o amor nos trouxe aqui.
Luto em vida, quando me falavam disso, eu achava que era quando alguém tinha que matar alguém importante, e já sabia disso, então aproveitava os últimos momentos, sorria os últimos sorrisos, e chovava pelos cantos da falta daquele alguém, antes da morte.
Mas não, o luto em vida é amar e não ter, é uma saudade não suprida.
Meu luto em vida é você, meu sonhado, desejado e alucinado uchiha Madara.
VOCÊ ESTÁ LENDO
O peso da coroa
Fanfictionmesmo querendo fugir e deixar tudo que lhe foi dado ao nascer, Hashirama entendia que não poderia viver com seu amado, ele finalmente entendeu o sentido do peso da coroa que seu avô tanto falava
