Declaração de guerra ao tempo

13 2 2
                                        

Quero arrombar a porta do tempo
Invadir meu passado na marra
Encarar a idiota de dezessete
Gritar na cara dela:
"Acorda porra, VIVE!"
E num ato cruel e honesto,
culpa-lá por este eu de agora que apenas sobrevive.

Estou presa.
Não num lugar.
Num corpo.
Numa sentença que ninguém escreveu,
mas que todo mundo cumpre.
Fugindo apenas em sonhos,
Até quando?

Fugir?
Piada.
Minha alma já assinou o contrato sem ler.
E agora dança,
amarrada no próprio ritmo
que eu nunca escolhi
Ou talvez tenha sido uma escolha por não fazer uma!

Tempo eu tenho.
Tempo demais,
Se a morte não resolver bancar a engraçadinha
e vir me buscar só pra fazer troça
desse meu teatro de resistência.

Mas hoje não tem sonho
Não tem sono
Não tem a porra de uma máquina do tempo.

Então que se foda
Vou precisar aprender a me libertar
Desperta.
Ainda que presa,
Ainda que em mim.

Não ditasOnde histórias criam vida. Descubra agora