[+O2] Sua música é bonita.

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A semana seguiu seu curso, mas para Heeseung, o tempo havia adquirido uma nova textura. Os dias não eram mais lineares; eram marcados pelos breves, mas intensos, cruzamentos com Sunghoon. A cafeteria, o jardim, os corredores - todos os lugares comuns do campus agora eram palcos em potencial para um encontro que fazia seu silêncio interno ecoar de uma maneira nova.

Ele começou a notar os hábitos de Sunghoon. Os horários em que ele frequentava a biblioteca, o jeito como ele caminhava com fones de ouvido, absorto em seu próprio mundo, a expressão concentrada que ele tinha ao ler uma partitura. Heeseung se pegou coletando esses detalhes como se fossem notas soltas, tentando compor uma melodia que substituísse a que havia se calado.

Jay, é claro, não perdeu a oportunidade de comentar.

- Você está fazendo aquela cara de novo - disse ele, encontrando Heeseung encostado em um corredor, olhos fixos na porta da sala de ensaio vocal onde Sunghoon estava.

- Que cara? - Heeseung tentou disfarçar, virando-se rapidamente.

- A cara de 'onde será que minha alma gêmea está?'. - Jay imitou uma expressão sonhadora e exagerada, rindo em seguida. - É sério, Hee. Em vez de ficar aí se consumindo, por que você não chama ele para sair? Para estudar? Para qualquer coisa?

- Não é tão simples - Heeseung murmurou, o rosto levemente aquecido. Como explicar que cada interação com Sunghoon era como tocar em um fio desencapado? Uma descarga elétrica de pura emoção crua, seguida pelo terrível silêncio que a tudo consumia.

- É sim! O destino deu o empurrão, mas você tem que dar os passos.

Heeseung sabia que Jay tinha razão, mas uma insegurança profunda o impedia. E se Sunghoon não sentisse nada? E se o desaparecimento da melodia fosse um defeito, um erro do universo, e não um sinal? O medo de ter entendido tudo errado era um peso constante em seu peito, um baixo contínuo de ansiedade que agora substituía a melodia perdida.

A oportunidade, no entanto, surgiu de onde ele menos esperava.

Foi durante uma aula prática de composição. O professor formou duplas aleatórias para um exercício de harmonização. E, por um golpe do acaso - ou do destino -, o nome de Heeseung foi pareado com o de Sunghoon.

O coração de Heeseung pareceu parar e, em seguida, disparar num ritmo frenético. Ele olhou através da sala e encontrou os olhos de Sunghoon, que já o observavam. Desta vez, não havia surpresa no olhar do mais novo, apenas uma curiosidade quieta, quase analítica.

Eles se encontraram em uma das salas de estudo individuais, acusticamente tratadas, com um piano de cauda e dois banquinhos. O silêncio do ambiente era quase opressivo, amplificando o vazio dentro de Heeseung.

- Então... - Sunghoon quebrou o gelo, colocando sua mochila no chão. - O professor quer que a gente harmonize essa melodia base. Você prefere começar pelo piano ou pela voz?

- P-Piano - Heeseung respondeu, a voz um pouco rouca. Ele limpou a garganta, sentindo-se exposto. Aquele era seu santuário, mas agora parecia uma arena. - Eu posso tocar a base e a gente vai improvisando em cima.

Sunghoon assentiu, um gesto quase imperceptível. - Bom para mim.

Heeseung se sentou ao piano, suas mãos pairando sobre as teclas brancas e negras. Era seu território seguro, o lugar onde ele sempre se expressava melhor do que com palavras. Ele respirou fundo, tentando se concentrar na música, e não no homem parado a seu lado. Ele tocou a sequência de acordes proposta, e as notas preencheram a sala, sólidas e reconfortantes, um bálsamo temporário para seu silêncio interno.

Sunghoon ficou de pé ao lado do piano, ouvindo atentamente. Ele fechou os olhos, concentrado, e Heeseung pôde observá-lo por um instante. A linha de seu queixo, a curva de seus lábios, a sombra de seus cílios - tudo parecia perfeito e intencional, como uma partitura bem escrita.

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⏰ Última atualização: 5 days ago ⏰

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