Daphne Monique Boyer Leister sempre foi desejada, mas nunca escolhida. Intensa demais. Sensível demais. Amor demais.
Nicolas Basset Oscar Rulli sempre a escolheu - em silêncio.
Dez anos atrás, um acidente mudou tudo. Daphne salvou Nicolas. Ela esque...
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POV Daphne
Eu estou cansada.
Não é um cansaço que se resolve dormindo.
É aquele que mora no peito. Que pesa. Que arranha por dentro.
Cansada de ser desejada… mas nunca escolhida.
Eu encaro meu reflexo no espelho. O vestido vinho desenha meu corpo. O cabelo está perfeito. A maquiagem impecável. Eu estou linda. Sempre estou.
Mas nunca sou suficiente para ficar. — “Você é incrível, Daphne… mas eu não estou pronto para algo sério.”
Eles sempre dizem isso. Muda o rosto. Muda a voz. Mas o final é o mesmo. Eu nunca sou o plano. Sou o momento.
Meu celular vibra na cama. "Você merece alguém melhor." Eu rio. Melhor do que alguém que nunca me escolhe? Bloqueio o número. Não por orgulho. Por dignidade.
Caminho até a janela e deixo o vento frio tocar meu rosto. A cidade continua viva, indiferente ao fato de que meu coração acabou de sofrer mais uma pequena fratura. Minha mão desliza até meu quadril esquerdo.
A cicatriz.
Fina. Curva. Permanente.
Dez anos atrás houve um acidente. Eu sei disso. Sei que fiquei hospitalizada. Sei que minha memória daquele dia é um vazio estranho. Mas eu não lembro da dor. Não lembro do impacto. Não lembro de quem estava comigo. É como se alguém tivesse arrancado aquele dia da minha vida. E talvez seja melhor assim.
Eu me deito na cama ainda vestida.
Será que o problema sou eu? Eu amo demais? Sinto demais? Espero demais?
Um carro passa em alta velocidade na rua. O som me atinge como um choque. Vidro quebrando. Chuva forte. Alguém gritando meu nome.
Eu sento na cama de uma vez, o coração disparado.
Meu nome. Alguém gritou meu nome. Mas a lembrança escorre pelos meus dedos antes que eu consiga segurá-la. Silêncio.
— Foi só coisa da sua cabeça… — eu sussurro.
Mas não foi. Eu sinto. Tem algo que eu esqueci. E seja lá o que for… ainda não terminou comigo.
POV Nicolas
Eu nunca esqueci.
Nem por um único dia.
A fotografia está nas minhas mãos. Eu devia ter guardado. Devia ter deixado no passado. Mas nunca consegui. Ela está sorrindo na foto.
Daphne.
Cabelo bagunçado pelo vento. Olhos brilhando. A garota que sempre foi luz demais para alguém como eu. Eu fecho os olhos. E a chuva volta. Eu estava dirigindo. Estava com raiva. Jovem. Idiota. Achando que tinha controle de tudo. Ela estava no banco do passageiro.
— “Nicolas, diminui.” Eu não diminuí.
O carro perdeu estabilidade na curva. Eu lembro do grito dela. Lembro do pânico atravessando o meu peito. E então… Ela segurou o volante. Ela puxou para o lado contrário. Ela me salvou. O impacto veio do lado dela. O vidro estilhaçou. O sangue era dela. Sempre foi dela. Eu sobrevivi praticamente ileso. Ela ficou semanas no hospital. E quando acordou… Não lembrava. O médico chamou de bloqueio traumático. Eu chamei de misericórdia. Porque como eu poderia viver sabendo que ela lembrava que quase morreu por minha culpa?
Eu aperto a foto com força.
A cicatriz no quadril dela… eu sei exatamente como aconteceu. Sei exatamente o que causou. Ela carrega a marca no corpo. Eu carrego na alma.
Eu fui embora da cidade pouco tempo depois. Disse que era para estudar. Crescer. Construir meu império. Mas a verdade? Eu fugi. Fugi dela. Fugi da culpa. Fugi do amor que sempre senti e nunca achei que merecia. Porque desde antes do acidente… ela já era tudo para mim. E ela nunca soube.
Eu passo o polegar sobre o rosto dela na foto.
— Você nunca foi um talvez para mim, Daphne… — minha voz sai baixa.
Nunca foi. Você sempre foi a única. Mas eu nunca tive coragem de ser o homem que você precisava. E agora eu estou voltando. Não porque a culpa diminuiu. Mas porque dez anos foram suficientes para entender uma coisa: Eu posso não merecer o amor dela. Mas não vou suportar vê-la sendo apenas um “talvez” para outros homens. Se o destino está me dando uma segunda chance… Dessa vez, eu não vou fugir. E mesmo que ela não se lembre do dia em que salvou minha vida… Eu lembro. De cada segundo. E talvez esteja na hora de ela descobrir que algumas cicatrizes não são apenas marcas. São histórias inacabadas.