APENAS IMPLORE

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Talvez tenha cometido um grande erro, pela primeira vez nesses dias. Astrea cogitou.

— Quer que eu a carregue? — Ele a questiona. A escuridão parecia dançar ao seu redor, fazendo-a sentir-se ainda mais intimidada. Como não respondeu, ele a levantou abruptamente, como se não pesasse mais que um prato com aperitivo em sua mesa. O ato a fez enrijecer o corpo ainda mais, mas quando ameaçou protestar, foi alertada — Não se atreva a me aborrecer outra vez.

— Eu não ouso!

Sob o olhar de um salão silencioso, ele rompeu o espaço em passadas rápidas e severas, fazendo questão de propagar sua dominância. Ao entrar na limusine, ele a manteve sentada em seu colo, ao que ela tentou se desvencilhar, mas teve o pulso agarrado.

— A mão que tocou outro homem deveria ser lançada fora — Astrea ouviu o tom de acusação incrédula.

— Que loucura é essa? Acaso não foi o mestre quem me vendeu? — disse puxando o pulso de seu agarre.

— E você foi de bom grado…
Louco. Ela respirou duas ou três vezes profundamente, mordendo o lábio para não proferir toda sorte de maldição.

— Eu não deveria obedecê-lo? — Por fim o questiona praticamente saltando para fora do colo dele, buscando um refúgio que não existia.

Sua atitude indisciplinada só serviu para aumentar a tensão dentro daquele espaço, agora pequeno demais para comportá-los, sem que ela se sentisse sem ar com a aura sombria que emanava dele.

Perigo. Seus instintos reverberam em seu ser aquele sentimento primordial que fora essencial para a sobrevivência da raça humana na Terra em tempos remotos e de escassez. Conteve o grito na garganta quando foi agarrada e ele a puxou abruptamente para seu colo, numa situação bem mais embaraçosa que antes; desta vez, escarranchada, com o corpo colado ao dele de tal forma que sentia os peitos esmagados contra a parede de músculos.

— Você realmente acha que não percebo sua provocação? — As palavras foram ditas bem próximo ao seu ouvido, enquanto sua nuca era segurada firmemente e seus pulsos imobilizados nas costas, sob seu agarre.

Astrea fez força para se liberar, mas tudo que conseguiu foi friccionar ainda mais seu corpo no dele. A protuberância latente sobre a qual estava assentada não lhe passou despercebida, ainda mais com sua parte íntima diretamente friccionada contra aquela região.

— O mestre está sendo irracional — Mal disse isso e já estava imediatamente arrependida, pois o brilho cruel em seus olhos lhe dizia que cruzara o limite.

— Uma escrava que não conhece o seu lugar — praticamente grunhiu essas palavras — talvez eu deva lhe ensinar uma lição, santa…

Astrea odiava como essa palavra em sua boca parecia tão profana e ele fazia questão de dizê-lo repetidamente, como um lembrete daquilo que deixara para trás. O modo como os lábios dele deslizaram sobre a pele descoberta de seu pescoço, fez um calafrio subir por sua espinha, então suas presas resvalaram o alvo daquela pequena exploração, para em seguida rasgar sua carne. A sucção foi mais voraz do que as outras vezes e a sensação que sobreveio sobre si bem mais erótica também. Somou-se a isso os solavancos do carro, fazendo com que a fricção de suas partes se tornasse mais intensa, o gemido sôfrego que deixou escapar foi algo que não pode controlar. E como todas as outras vezes, aquele desejo sombrio rastejando por suas entranhas estava ali.

Ela não se incomodou quando a mão que agarrava sua nuca agarrou a gola do seu vestido, arrastando-o para baixo e expondo seus peitos e não resistiu assim que a boca largou sua jugular e tomou um dos seus bicos intumescidos, chupando-o como quem deseja saciar a sede de dias de abstinência de sangue.

Ambos foram massacrados sob os lábios da criatura e tudo que ela conseguia fazer era gemer em desespero. De alguma forma, os shorts que usava virou apenas um pedaço de tecido agarrado à sua cintura e uma dura ereção pressionava sua entrada necessitada de atenção. E quando ele empurrou em seu interior toda sua extensão, ela quis gritar, mas sua boca foi tomada por um beijo tão voraz quanto as investidas em sua apertada abertura.

— Contenha-se, santa! Você não pode gritar — sussurrou-lhe e voltou para sua jugular.
Não demorou para que ela sentisse o gozo explodindo em suas entranhas, enquanto ele mantinha o movimento rítmico, segurando pelas laterais do quadril, fazendo-a subir e descer, empalando-a completamente a cada descida.

Um solavanco muito forte fez a mulher abrir os olhos assustada, temendo uma batida entre carros, porém ficou ainda mais impactada ao se dar conta de que estava deitada na cama, de volta ao lugar que tivera sido sua casa nos últimos dias.

— Eu exagerei um pouco — a voz grave sobreveio sobre os seus sentidos que tentavam se situar e olhando de relance viu a criatura sair do banho, como sempre, nu como veio ao mundo. Automaticamente Astrea buscou as próprias vestes e elas estavam perfeitamente alinhadas em seu corpo — eu estou falando disso — ele se aproximou e tocou a mordida ainda dolorida em seu pescoço — não me diga que eu estava em seus sonhos, santa?

— Não, eu pensei que…

— Pensou o quê? Eu não lhe disse que se me quiser adentrar às suas carnes terá que me implorar, santa? — sussurrou-lhe, enquanto massageava a mordedura que deixara em sua pele.

— Não seja pretensioso — empurrou-o para longe de si, mesmo sabendo que não adiantaria nada, pois ele ainda se enfiaria sob as cobertas do jeito que estava e foi justamente o que fez, mas não antes de preencher o ambiente com uma risada de escárnio.

— O que sonhou, santa? — O estalo que sua pronúncia fez na última sílaba da palavra foi quase como o sibilar de uma serpente.

— A ilusão e o mestre do submundo não combinam — A resposta veio em tom provocativo.

— Apenas implore! — Deu-lhe um sorriso mordaz.

— Talvez o mestre devesse se concentrar na vingança que me prometeu — disse solenemente — e depois, quem sabe, me dar uma morte rápida!

— Intrigante! Há tantas formas de matá-la… — puxou-a contra si, unindo suas costas à parte frontal do seu corpo — por agora, tudo que tens que fazer é me aquecer e me alimentar.

A mulher não resistiu à invasão do seu espaço, pois se tornou rotineiro que ele a obrigasse a dormir assim, não via sentido que o fizesse, mas deixou de resistir. Então assim que ele dormiu, levantou-se, fez sua higiene e trocou de roupas. Vaguear pela casa até sentir sono, foi o próximo passo.

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⏰ Última atualização: 6 days ago ⏰

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