1 [quando nasceram]

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— Ei…? — chamou Shouto, uma de suas mãos massageava a lombar do marido. — Como você tá?

Katsuki, que estava dentro da banheira concentrando-se em sua respiração, levantou e virou a cabeça minimamente, lançando um olhar carregado de ódio — mas principalmente de cansaço — para Shouto abaixado atrás dele.

— Com dor, caralho, como mais eu estaria? — ele nem gritou, como normalmente faria, estava exausto.

— Falta pouco, meu amor — Shouto sorriu e beijou sua têmpora.

No quarto, além deles, estava uma enfermeira obstetra garantindo que a banheira estivesse sempre limpa e que a água ficasse em uma temperatura agradável. A playlist que Katsuki tinha criado para o momento tocava em uma caixinha de som no canto do quarto em um volume confortável. A única coisa que tinham que fazer agora era esperar as contrações virem.

— Eu vou socar a sua cara se não parar de soltar a porra desses feromônios de merda pelo quarto — Katsuki ameaçou, apertando a mão do marido. — Eu já disse que essa porra não tá ajudando, só tá me estressando mais.

— Tá bem, tá bem, desculpa — tentou desesperadamente se soltar do aperto. — Achei que ia funcionar dessa vez. Ai… — sussurrou, sacudindo a mão para aliviar a dor.

Eles voltaram a ficar em silêncio, só a música preenchendo o ambiente. Katsuki estava perdido nas mil e uma coisas acontecendo em seu corpo e mente. Já Shouto, depois de amarrar novamente o cabelo em um coque alto e firme, foi abrir as janelas e procurar um ventilador para conseguir limpar o ar de seus feromônios.

Já era tarde da noite, o relógio no quarto marcava duas e pouco da manhã. As primeiras contrações de Katsuki tinham começado por volta das sete da noite enquanto eles assistiam um filme, mas desde o começo do dia ele já estava sentindo um certo desconforto. De início, elas eram toleráveis, mas agora já estavam ficando praticamente insuportáveis.

Shouto voltou correndo para a banheira quando escutou a respiração do marido mudando e os gemidos de dor. Novas contrações. A mão estendida de Katsuki logo encontrou a de Shouto, que voltou a massagear suas costas e lombar, tentando ajudar a aliviar a agonia.

— Por que eles tão fazendo isso comigo? — Katsuki choramingou quando a dor foi amenizando. — Eu só quero que isso acaba logo.

— Você só precisa aguentar mais um pouquinho, meu amor, eu sei que consegue — o tom confiante e calmo de Shouto só deixava Katsuki ainda mais irritado.

— Você não tem noção do quanto eu quero socar essa sua cara de sonso.

— Esse é o meu Katsuki — sorriu e deu mais um beijo no rosto dele.

— Escuta aqui — começou com o tom mais firme que conseguia —, essa é a primeira e última vez que tô fazendo isso, entendeu?

— Poxa… eu tinha esperanças de que a gente pudesse ter uns cinco ou seis — brincou.

Com os nervos de Katsuki à flor da pele, não existia pior momento no mundo para se fazer uma brincadeira. Ele apertou a mão de Shouto com todas as forças e ódio que tinha.

— Perdão, a gente pode adotar — ele choramingou tentando se soltar novamente. Agora tinha certeza que precisaria ser atendido também.

Batidas à porta chamaram a atenção deles e a médica obstetra entrou logo depois. Ela tinha um sorriso grande no rosto gentil, o que irritou Katsuki ainda mais.

— Olá! Como estão os papais? — ela se aproximou deles com uma postura confortável e tranquila.

— Um pouco nervosos e talvez uma mão quebrada, mas bem — Shouto deu um sorriso amarelo.

Ao longo dos anos - TodoBaku/BakuTodoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora