Metanoia

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Mais uma vilarejo para brincar, era como Noah pensava. Grande Gillia, conhecida por sua belíssima catedral que trazia forasteiros fiéis de todos os cantos do país. Idiotas. Se agarrando em uma pequena fagulha de esperança para dar sentido às suas vidas ridículas.

Estava de noite e escuro, já havia seduzido algumas camponesas bobas o suficiente para saírem no meio da noite com um completo estranho só porque ele era "estrangeiramente" atraente. Mentiras, seduções e promessas vazias de amor eterno, a expressão de terror nelas ao perceber que suas vidas estavam sendo lentamente ceifadas, era algo que deixava o moreno com um sorriso sádico e divertido no rosto. Era engraçado pra ele.

Mas ele precisava partir para a próxima vítima, não que estivesse com fome, as garotas foram boas o suficiente, mas ele queria a última diversão antes de passar um tempo vagando sozinho até encontrar algum amigo que também vivia nas sombras.

Foi quando ele sentiu um cheiro forte passar por ele, não estava perto, ele procurou ao redor. Era bom, forte, marcante, do tipo que ficaria na mente por muito tempo, lembrava algo mas ele não lembrava o quê.
Noah começou a seguir o cheiro, quando viu saindo da igreja, um garoto, cabelos castanhos com um comprimento médio, pele bronzeada e olheiras leves, no pescoço ele carregava um colar de ouro com uma cruz como pingente, a cruz tinha alguns rubis talhados nela, era lindíssima apesar do repúdio que Noah sentia pelo objeto.

O garoto que ele observava parecia cansado e levemente irritado, parecia uma vítima perfeita, pose de herói, parecia alguém importante. Alguém que iria fazer falta em Gillia.

Ele se aproximou devagar, tímido, parecendo um pouco confuso.

- Senhor? - Ele falou, sua voz saindo um pouco arrastada. O outro olhou pra ele de cima abaixo. - Você poderia me ajudar? Estou perdido.

- Posso sim. - Ele sorriu levemente. Ainda parecia irritado com algo mas nada que um pouco mais de trabalho não resolvesse. - O que aconteceu?

- Eu preciso de um lugar pra ficar que seja barato, vim de longe para as festividades da catedral e não tenho muito dinheiro... onde o senhor indica?

- Ah, tem um estalagem aqui perto que você pode ir.

- Sério!? Aí que bom, Senhor... - Ele soltou um suspiro aliviado, continuando com o sorriso tímido no rosto. - Tem como você me levar? Já me perdi demais.

- Claro, tudo bem. - Ele disse com um sorriso amarelo no rosto, com certeza não estava sendo um bom dia para ele. - É uns 2 quilômetros de caminhada, tudo bem pra você?

- Claro que sim, e com uma companhia como a sua deve ser melhor ainda. - Ele sorriu. - Prazer, Noah Mendez.

Ele ergueu a mão para o outro apertar, e ele o fez. O frio das mãos de Noah se encontrando com o calor das mãos do outro foi algo repentino, os dois se olharam por alguns segundos e a conversa continuou.

- Prazer, Belquior, Erick Belquior.

Um Belquior. Noah queria muito rir com a ironia do destino, simplesmente estava levando para a armadilha o descendente da maior família de caçadores de sobrenaturais de todo o reino, se não do país. Aquilo estava bom demais pra ser verdade.

- Você não é daqui, não é? - Erick disse começando a andar.

- Não, sou de outro país.

- Imaginei, sobrenome e sotaque evidenciam muito, Senhor Mendez.

- É, minha família é de longe, mudamos pra cá por condições de vida melhor mas... - ele suspirou pesadamente. - Mas eu os perdi para um monstro...

- O vampiro?

- Isso...

- Tá tudo bem, eu vou acabar com ele, prometo.

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