DaniMorosini
No alto do Morro do Cruzeiro, onde as casas se empilham como pecados escondidos sob o céu rachado, o silêncio é um luxo que custa caro. Ouvem-se tiros, gritos, passos apressados... e, às vezes, orações.
Mas há um nome que ecoa mais alto que todos os sons: Alemão.
Poucos lembram que ele já foi chamado de Pedro.
Menos ainda sabem que nasceu sentado no último banco da igreja, de olhos fechados enquanto a mãe, Dona Cida, orava com as mãos erguidas e os joelhos no chão.
Filho do maior traficante que aquele morro já teve, cresceu entre salmos e sangue. Aos domingos, ouvia sobre salvaç ão. Na segunda, via o pai pesando cocaína na mesa da cozinha.