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São Paulo, uma manhã qualquer de estágio. Bárbara, 21 anos, recém-chegada à VENTO, só queria encontrar a sala de Criação. Mas o destino — ou a falta de atenção — a colocou na porta errada. A sala da diretora.
Lianna Carla Vasconcellos Nunes, 43 anos, coque baixo impecável, tailleur cinza, voz grave e um olhar que parece enxergar através das pessoas, está ao telefone quando a estagiária entra. Ela não gosta de interrupções. Não gosta de atrasos. E, aparentemente, não gosta de ser chamada de "senhora".
Bárbara só precisava de uma informação. Mas algo naquela sala — ou naquela mulher — a faz esquecer as palavras. O que começa com uma gagueira e um pedido de ajuda sobre a área de criação se transforma em um daqueles momentos em que o ar fica mais denso e o tempo parece desacelerar. Duas mulheres. Uma sala. E a sensação de que nada vai ser como antes.
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